quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Soneto II

Num fértil campo de soberbo Douro,
Dormindo sobre a relva, descansava,
Quando vi que a Fortuna me mostrava
Com alegre semblante o seu tesouro.

De uma parte, um montão de prata e ouro

Com pedras de valor o chão curvava;
Aqui um cetro, ali um trono estava,
Pendiam coroas mil de grama e louro.

- Acabou – diz-me então – a desventura:

De quantos bens te exponho qual te agrada,
Pois benigna os concedo, vai, procura.

Escolhi, acordei, e não vi nada:

Comigo assentei logo que a ventura
Nunca chega a passar de ser sonhada.
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INTERPRETAÇÃO:


Nesse soneto, Tomás Antônio Gonzaga relata um sonho que teve. Nesse sonho ele conhece a Fortuna que lhe mostrava todo o seu tesouro. Nele tinha pratas, ouros pedras de valor e etc. Fortuna então pede que Tomás escolha bens que lhe agradaram no tesouro. Tomás escolheu, mas, logo acordou. Sem ter aquilo que tinha ganhado.


CARACTERÍSTICAS DO ARCADISMO:
  • Bucolismo: Fala de férteis campos e das relvas(folhagens rasteiras) onde descansava.

CONTEXTO HISTÓRICO:


Quando escreveu esse soneto, Tomás Antônio Gonzaga estava em Moçambique. Isso foi consequência de sua participação na Inconfidência Mineira que fez com que ele fosse expulso do país depois de se ser mandado para Ilha das cobras no Rio de Janeiro.

GLOSSÁRIO:


Soberbo: Pessoa mesquinha, arrogante, altruísta.
Relva: rama, folhagem rasteira.
Cetro: Bastão curto encimado por um ornato que os soberanos trazem na mão direita em certas cerimônias: coroa, cetro e globo são as insígnias da realeza.
Douro: pequeno barco de fundo chato, que auxilia a pesca do bacalhau, nos mares do Norte.
Desventura: Infortúnio, infelicidade, desgraça, miséria.
Ventura: Sorte, acerto, êxito, felicidade, fortuna, acaso.


Marcos Vinícius nº 23

1C

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

SONETO X


Adeus, cabana, adeus; adeus, ó gado;
Albina ingrata, adeus, em paz te deixo;
Adeus, doce rabil; neste alto freixo
Te fica, ao meu destino consagrado.
Se te for meu sucesso perguntado,
não declares, rabil, de quem me queixo;
não quero que se saiba vive Aleixo
por causa de uma infame desterrado.
Se vires a pastor desconhecido,
lhe dize então piedoso: - Ah! vai-te embora,
atalha os danos, que outros têm sentido.
Habita nesta aldeia uma pastora,
de rosto belo, coração fingido,
umas vezes cruel, e as mais traidora.

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INTERPRETAÇÃO:

Neste soneto, Dirceu fala de uma desilusão amorosa. Ele diz que essa mulher, que ele se refere como 'Albina' é bela, perigosa e traidora, pois ela o traiu, e é por isso que ele está indo embora da aldeia.

CARACTERÍSTICA DO ARCADISMO:

Tom confessional, quando ele fala do que a mulher fez com ele.

CONTEXTO HISTÓRICO: 

Neste momento, Dirceu tinha sido deportado para Moçambique, pelos seu suposto envolvimento com a Inconfidência Mineira.

GLOSSÁRIO:

Freixo: Árvore das florestas de climas temperados.
Desterrado: Aquele que foi banido ou está ausente da pátria.
Infame: Desonrado.

Myllena Marques.
Número:28
1º C

SONETO IV

Ainda que de Laura esteja ausente,
Há de a chama durar no peito amante;
Que existe retratado o seu semblante,
Se não nos olhos meus, na minha mente.
Mil vezes finjo vê-la, e eternamente
Abraço a sombra vã; só neste instante
Conheço que ela está de mim distante,
Que tudo é ilusão que esta alma sente.
Talvez que ao bem de a ver amor resista;
Porque minha paixão, que aos céus é grata
Por inocente assim melhor persista;
Pois quando só na ideia ma retrata,
Debuxa os dotes com que prende a vista,
Esconde as obras com que ofende, ingrata.

INTERPRETAÇÃO: 

 Nesse soneto creio que a ausência de Laura no soneto está ligada a ausência de Marília, e mesmo diante de tanta saudade, a chama desse amor não irá apagar, pois de maneira tão forte o consome, fazendo-o capaz de imagina-la perto de si. Só então se da distância quando quer tê-la em seus braços e não pode. Ele diz ser grato a esse amor e de forma talvez inocente não irá desistir.

CONTEXTO HISTÓRICO:

 Devido a sua participação na Inconfidência Mineira é acusado de conspiração e preso, tendo que cumprir sua pena de três anos no Rio de Janeiro. Após três anos preso sua pena foi decretada , Tomaz Antônio Gonzaga, é mandado para Moçambique para cumprir dez anos de sua sentença.

GLOSSÁRIO:

Semblante: Feições, aparência ,fisionomia.
Debuxar: imaginar, figurar, sugerir , transmitir.

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Bruna Duarte.
Número: 06.
1º C

Soneto I

É gentil, é prendada a minha Altéia;
As graças, a modéstia de seu rosto
Inspiram no meu peito maior gosto
Que ver o próprio trigo quando ondeia.
Mas, vendo o lindo gesto de Dircéia
A nova sujeição me vejo exposto;
Ah! que é mais engraçado, mais composto
Que a pura esfera, de mil astros cheia!
Prender as duas com grilhões estritos
É uma ação, ó deuses, inconstante,
Indigna de sinceros, nobres peitos.
Cupido, se tens dó de um triste amante,
Ou forma de Lorino dois sujeitos,
Ou forma desses dois um só semblante.

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INTERPRETAÇÃO:

Neste soneto, ele já havia sido deportado e já não tinha a mesma memória da aparência de Marília em sua mente. Nesta parte ele fala de outras mulheres para servir como comparação, comparação entre essas novas mulheres e Marília. Estas mulheres podiam ser reais ou fantasias de Dirceu. Dirceu fala sobre sua Altéia, fala o que sente. Mas ele quer as duas, quer as duas em sua vida e em seus braços, exemplo disto é quando ele fala ''Prender as duas com grilhões estritos''.

CARACTERÍSTICAS DO ARCADISMO:

Idealização da mulher amada: Querer quem ele ama ao seu lado.

Mitologia Greco-Romana: Quando ele fala do cupido.

SITUAÇÃO HISTÓRICA:

Dirceu não está mais no Brasil. E expressa ainda mais a saudade da sua amada. Após a descoberta da participação de Tomás na Inconfidência Mineira Tomás foi deportado e exilado de Moçambique.

GLOSSÁRIO:

Sujeição - ação de subjugar.
Semblante - Rosto, cara, feições.
Grilhões - Cadeia metálica de anéis encadeados.
Estritos - Exato, preciso, rigoroso.

Cattarina Bites.
Número:07
1º ''C''

sábado, 31 de agosto de 2013

Lira IX

Parte III

Chegou-se o dia mais triste
que o dia da morte feia;
caí do trono, Dircéia,
do trono dos braços teus,
Ah! não posso, não, não posso
dizer-te, meu bem, adeus!

Ímpio Fado, que não pôde
os doces laços quebrar-me,
por vingança quer levar-me
distante dos olhos teus.
Ah! não posso, não, não posso
dizer-te, meu bem, adeus!

Parto, enfim, e vou sem ver-te,
que neste fatal instante
há de ser o teu semblante
mui funesto aos olhos meus.
Ah! não posso, não, não posso
dizer-te, meu bem, adeus!

E crês, Dircéia, que devem
ver meus olhos penduradas
tristes lágrimas salgadas
correrem dos olhos teus?
Ah! não posso, não, não posso
dizer-te, meu bem, adeus!

De teus olhos engraçados,
que puderam, piedosos,
de tristes em venturosos
converter os dias meus?
Ah! não posso, não, não posso
dizer-te, meu bem, adeus!

Desses teus olhos divinos,
que, terno e sossegados,
enchem de flores os prados
enchem de luzes os céus?
Ah! não posso, não, não posso
dizer-te, meu bem, adeus!

Destes teus olhos, enfim,
que domam tigres valentes,
que nem rígidas serpentes
resistem aos tiros seus?
Ah! não posso, não, não posso
dizer-te, meu bem, adeus!

Da maneira que seriam
em não ver-te criminosos,
enquanto foram ditosos,
agora seriam réus.
Ah! não posso, não, não posso
dizer-te, meu bem, adeus!

Parto, enfim, Dircéia bela,
rasgando os ares cinzentos;
virão nas asas dos ventos
buscar-te os suspiros meus.
Ah! não posso, não, não posso
dizer-te, meu bem, adeus!

Talvez, Dircéia adorada,
que os duros fados me neguem
a glória de que eles cheguem
aos ternos ouvidos teus.
Ah! não posso, não, não posso
dizer-te, meu bem, adeus!

Mas se ditosos chegarem,
pois os solto a teu respeito,
dá-lhes abrigo no peito,
junta-os cos suspiros teus.
Ah! não posso, não, não posso
dizer-te, meu bem, adeus!

E quando tornar a ver-te,
ajuntando rosto a rosto,
entre os que dermos de gosto,
restitui-me então os meus.
Ah! não posso, não, não posso
dizer-te, meu bem, adeus!

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INTERPRETAÇÃO:

Nesta lira conta sobre quando Dirceu estava sendo deportado, e se despedindo de sua 
amada, onda a partir dali terá uma vida nova , e provavelmente terá novas companheiras. E sua amada terá de se contentar por não ter mais Dirceu ao seu lado, e consequentemente se acostumar a notícia de que ele terá uma nova mulher na vida dele .

CONTEXTO HISTÓRICO:

Como na maioria das liras, fala muito sobre a inconfidência mineira, e nessa lira fala que ele foi deportado do país, onde a parti dali terá uma vida nova pela frente, se despedindo de sua amada.

ARCADISMO:

Nesta lira á presença do estado de espírito de espontaneidade dos sentimentos, devido aos sentimentos presente de muita saudade e dos momentos bons que eles passaram .

GLOSSÁRIO:

ímpio: Algo ou aguem que despreza a religião.
fado: Destino, sorte
ditoso: Que tem boa sorte


Guilherme Koichi
Número: 12.
1° C.


Lira VIII

Parte III

Em cima dos viventes fatigados
Morfeu as dormideiras espremia:
Os mentirosos sonhos me cercavam;
            Na vaga fantasia
            Ao vivo me pintavam
            As glórias, que desperto,
            Meu coração pedia.

Eu vou, eu vou subindo a nau possante,
Nos braços conduzindo a minha bela;
Volteia a grande roda, e a grossa amarra
              Se enleia em torno dela;
              Já ponho a proa à barra,
              Já cai ao som do apito
              Ora uma, ora outra vela.

  Os arvoredos já se não distinguem:
A longa praia ao longe não branqueja;
E já se vão sumindo os altos montes,
               Já não há que se veja
               Nos claros horizontes,
               Que não sejam vapores,
               Que Céu, e mar não seja.

        Parece vão correndo as negras águas,
E o pinho qual rochedo estar parado;
Ergue-se a onda, vem à nau direita,
               E quebra no costado;
               O navio se deita,
               E ela finge a ladeira
               Saindo do outro lado.

      Vejo nadarem os brilhantes peixes,
Cair do lais a linha que os engana;
Um dourado no anzol está pendente,
              Sofre morte tirana,
              Entretanto que a sente,
              Ao tombadilho açoita
              A cauda, e a barbatana.

        Sobre as ondas descubro uma carroça
De formosas conchinhas enfeitada;
Delfins a movem, e vem Tétis nela;
              Na popa está parada;
              Nem pode a Deusa bela
              Tirar os brandos olhos
              Na minha doce amada.

         Nas costas dos golfinhos vêm montados
Os nus Tritões, deixando a esfera cheia
Com o rouco som dos búzios retorcidos.
                    Recreia, sim, recreia
                    Meus atentos ouvidos
                    O canto sonoroso
                    Da música sereia.

         Já sobe ao grande mastro o bom gajeiro;
Descobre arrumação, e grita – terra!
À murada caminha alegre a gente;
               Alguns entendem que erra;
               Pelo imóvel somente
               Conheço não ser nuvem,
              Sim o cume d’alta serra.

         De Mafra já descubro as grandes torres;
(E que nova alegria me arrebata!)
De Cascais a muleta já vem perto,
               Já de abordar-nos trata;
               Já o piloto esperto,
               Inda debaixo manda
               Soltar mezena, e gata.

        Eu vou entrando na espaçosa barra,
A grossa artilharia já me atroa;
Lá ficam Paço d’Arcos, e a Junqueira;
                Já corre pela proa
                Uma amarra ligeira;
                E a nau já fica surta
                Diante da grã Lisboa.

       Agora, agora sim, agora espero
Renovar da amizade antigos laços;
Eu vejo ao velho pai, que lentamente
              Arrasta a mim os passos;
              Ah! com vem contente!
              De longe mal me avista,
              Já vem abrindo os braços.

      Dobro os joelhos, pelos pés o aperto;
E manda que dos pés ao peito passe;
Marília, quanto eu fiz, fazer intenta;
               Antes que os pés lhe abrace
               Nos braços a sustenta;
               Dá-lhe de filha o nome,
               Beija-lhe a branca face.

        Vou descer a escada, oh Céus, acordo!
Conheço não estar no claro Tejo;
Abro os olhos, procuro a minha amada,
               E nem sequer a vejo.
               Venha a hora afortunada,
               Em que não fique em sonho
               Tão ardente desejo!

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INTERPRETAÇÃO:

Nesta Lira, Dirceu já não está mais no Brasil, e tem muitas saudades de sua amada. Ele começa falando que está em um navio, regressando a sua terra natal, Portugal. Não se consegue ver mais as prais brancas, nem os montes, só o vapor, a água e o céu. O autor consegue ver criaturas mitológicas, como Tritões e Sereis, fala sobre os peixes brilhantes, que ao caírem na linha, sofrem morte tirana, ao retirarem  sua cauda e sua barbatana. Na sétima estrofe, ele diz que ouve o som da buzina, e o gajeiro gritar - Terra!, então consegue ver o cume da montanha, e as grandes torres, e fica muito feliz por estar de volta a Lisboa, pois espera renovar suas amizades antigas. De longe vê seu pai, que lentamente vêm ao seu encontro com braços abertos. Dirceu se ajoelha, e abraça seus pés. Encontra com sua amada, a abraça e diz que quer lhe dar uma filha, e a beija. Mas de repente ele acorda, e percebe que tudo não passou de um sonho, que sua amada não está com ele.

CARACTERÍSTICAS DO ARCADISMO:
  • Uso da Mitologia: Quando ele fala dos Tritões e das Sereias.
SITUAÇÃO HISTÓRICA:

Não se sabe ao certo o que estava acontecendo no momento que está lira foi escrita, mas acredito que foi quando ele fora deportado para Moçambique por ser acusado de ser um dos supostos líderes da Inconfidência Mineira.


GLOSSÁRIO:

Fatigados : Cansados.
Nau: Antiga embarcação a vela, de alto bordo, com três mastros e numerosas bocas de fogo.
Volteia: Girar.
Enleia: Prender.
Arvoredos: A mastreação do navio.
Branqueja: Apresentar a cor branca.
Costado: Conjunto de chapas ou pranchas que revestem o cavername de um navio.
Tombadilho: A parte mais alta de um navio, que vai do mastro da mezena até a popa.
Açoita: Devasta.
Tritões: Divindade marítima, de ordem inferior.
Búzios: Buzina.
Gajeiro: O marinheiro encarregado de de vigiar no cesto da gávea as embarcações ou a terra.
Cume: A parte mais elevada da montanha.
Mezena: Vela que se enverga na carangueja do mastro de ré em tempo ruim.

Myllena Marques.
Número: 28.
1º C.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Lira V

Parte III

Eu não sou, minha Nise, pegureiro,
que viva de guardar alheio gado;
nem sou pastor grosseiro,
dos frios gelos e do sol queimado,
que veste as pardas lãs do seu cordeiro.
Graças, ó Nise bela,
graças à minha estrela!
A Cresso não igualo no tesouro;
mas deu-me a sorte com que honrado viva.
Não cinjo coroa d’ouro;
mas povos mando, e na testa altiva
verdeja a coroa do sagrado louro.
Graças, ó Nise bela,
graças à minha estrela!
Maldito seja aquele, que só trata
de contar, escondido, a vil riqueza,
que, cego, se arrebata
em buscar nos avós a vã nobreza,
com que aos mais homens, seus iguais, abata.Graças, ó Nise bela,
graças à minha estrela!
As fortunas, que em torno de mim vejo,
por falsos bens, que enganam, não reputo;
mas antes mais desejo:
não para me voltar soberbo em bruto,
por ver-me grande, quando a mão te beijo.
Graças, ó Nise bela,
graças à minha estrela!
Pela ninfa, que jaz vertida em louro,
o grande deus Apolo não delira?
Jove, mudado em touro
e já mudado em velha não suspira?
seguir aos deuses nunca foi desdouro.
Graças, ó Nise bela,
graças à minha estrela!
Pertendam Anibais honrar a História,
e cinjam com a mão, de sangue cheia,
os louros da vitória;
eu revolvo os teus dons na minha idéia:
só dons que vêm do céu são minha glória.
Graças, ó Nise bela,
graças à minha estrela!

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INTERPRETAÇÃO:
 Ao contrário da lira I da parte I,onde a semelhança entre as duas liras em relação a forma escrita,o autor demonstra o desejo de uma vida simples no campo e um amor. Porém já na lira X da parte três III o autor procura demonstrar o quão fútil era a riqueza,pois estava rodeada falsidade.Diz que a deseja,porem não para ser fútil e grotesco como os outros. Diz que não se precisa de muito para fazer história,que para ser ter riqueza,seja qual for,que seja conquistada com garra e luta.

CARACTERÍSTICAS DO ARCADISMO:  

Crítica a busca pela riqueza, um termo usado no arcadismo pode definir inutilia truncat (cortar o inútil),com isso o autor tenta demonstra a busca pela valorização de coisas simples do cotidiano.

GLOSSÁRIO:


pregueiro:Pastor; guardador de gado.
Cinjo:Agarrar-se em alguma coisa: 
reputo:Considerar; Tomar em conta;Julgar; Crer.

Bruna Duarte.
Número: 06
1º C.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Lira IV

Parte III

Amor por acaso
a um pouso chegava,
aonde acolhida
a Morte se achava.

Risonhos e alegres,
os braços se deram,
e as armas unidas
num sítio puseram.

De empresas tamanhas
cansados já vinham,
e em larga conversa
a noite entretinham.

Um conta que há pouco
a seta aguçada
em uma beleza
deixara empregada.

Diz outro que as flechas
cravara no peito
de um grande, que teve
o mundo sujeito.

Enquanto das forças
cada um presumia,
seus membros já lassos
o sono rendia.

Dormindo tranqüilos,
a noite passaram,
e inda antes da aurora
com ânsia acordaram.

- É tempo que o leito
deixemos, ó Morte –
Amor, já erguido,
falou desta sorte.

- É tempo, - em reposta
a Morte repete –
que à nossa fadiga
dormir não compete.

As armas colhamos,
voltemos ao giro:
cada um a seu gosto
empregue o seu tiro.

Vão, inda cos olhos
em sono turbados,
ao sítio em que os ferros
estão pendurados.

Amor para as setas
da Morte se enclina;
de Amor logo a Morte
co’as flechas atina.

Oh! golpes tiramos!
oh! mãos homicidas!
são tiros da Morte
de Amor as feridas.

De um sonho, que pinto,
Marília, conhece
se amor, ou se morte
esta alma padece.
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INTERPRETAÇÃO:



  A lira trás aquilo que acontecia quando não estava à luta. Deixava suas armas no sítio e cansados, passava toda a noite conversando. E quando seus membros já ficavam cansados, vinha o sono. Já antes do nascer do Sol, acordam angustiados. É a hora que levantarão, pegarão suas armas, e voltarão à luta. No final ele já não sabe se sua alma sofre por amor, ou pela morte.

CARACTERÍSTICAS DO ARCADISMO:

  • Pré- Romantismo: Há no final da lira uma manifestação sentimental. (Alma angustiada pelo amor e pela morte).
  • Simplicidade:  Usa um tema e linguagem simples.

SITUAÇÃO HISTÓRICA:

A lira foi escrita quando Tomás de Antonio Gonzaga estava preso na Ilha das Cobras. Nessa terceira parte do livro é fácil encontrar trechos revelações sobre seu sofrimento físico e sentimental resultado daquilo que viveu durante a Inconfidência Mineira. Trecho como: ‘’Oh! Golpes tiramos! Oh mãos homicidas! São tiros de Morte de amor as feridas’’. 



Marcos Vinícius nº 23
1C